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Fanfic: Obsessão

Postado por Raí Oliveira às 12:50
Essa Fanfic é baseada no filme de animação japonesa "5 Centímetros por Segundo", então qualquer semelhança entre essa fic e o filme, não é uma coincidência. Aproveitem! - Amanda Amaral










Era primavera, as cerejeiras estavam no auge de sua beleza. Hinata as amava. Nós parávamos em frente a uma cerejeira sempre que podíamos, e a admirava. Sempre que o vento corria em volta das flores, fazendo com que elas caíssem, abríamos os braços, fechávamos os olhos e simplesmente aproveitávamos esse momento considerado arrebatador.


Tinha uma cerejeira na entrada da escola, era a maior que eu já vi, seu tronco era grosso e passava uma imagem imponente. Um dia, quando estávamos na escola, decidimos ir vê-la no intervalo, e assim foi. Mal ouvimos o som do sino e saímos correndo, derrubando tudo que víamos. Quando chegamos lá, ofegantes, percebemos que as flores começavam a cair. Eu lembro que pensei que ela ia abrir os braços e fechar os olhos como fez tantas vezes antes nesses momentos, mas ela não o fez. Em vez disso, ela falou:

- Ei... – Ela começou.
- O que? – Eu disse.
- Dizem que são 5 centímetros por segundo- Ela falou, os olhos perolados brilhando.
- Unh?- Eu resmunguei, confuso.
- A velocidade em que elas caem – Ela informou. 

Acordei assustado, suado e ofegante, e sentei do lado direito da cama. Passei meus olhos vagarosamente pelo relógio, 3h28min da manhã. Isso vinha acontecendo à alguns dias, eu não conseguia controlar. Deitei-me novamente na cama, com as mãos atrás da cabeça.
Isso é patético, estressante, angustiante e mal, muito mal. Parece que esses sonhos vêm á noite só pra me lembrar de algo que nunca vou poder alcançar, algo que tinha em minhas mãos e deixei escapar: do passado. Mas, como eu poderia intervir? Eu era uma criança, e pra minha má sorte, meus pais se mudavam muito por causa do trabalho.
Em uma dessas vezes, eu conheci a menina que mudaria completamente a minha vida dali em diante. O nome dela era Hinata. Ela não era igual ás outras, bem, ela tinha dois olhos uma boca e um nariz como todas, mas, eu não me sentia igual perto dela. De alguma forma, o seu jeito me trazia de volta do rio de raiva em que eu estava mergulhado. E, além disso, a sua boca, mesmo formulando palavras simples e conhecidas, eu as ouvia de modo diferente, elas soavam como se viessem de outra dimensão. Ela era minúscula e delicada, e, por isso, despertava em mim um instinto protetor. E eu? Eu era um idiota frio e arrogante que amolecia diante dela. Eu continuava sendo eu mesmo, mas menos ameaçador. Apesar da minha natureza e a dela serem opostas, nos tornamos grandes amigos.
Depois de um tempo, descobri que ela vivia se mudando por causa do emprego dos pais, assim como eu, e isso serviu pra nos unir ainda mais. Sempre estávamos juntos, seja indo pra casa, brincando, fazendo dever, passeando, conversando, e não sei quando entre esses momentos nos apaixonamos, mas aconteceu, como se fosse algo inevitável.
Sim, nos apaixonamos, pensei que a sorte tinha sorrido pra mim, mas, depois de 6 meses descobri que ela, a sorte, só estava brincando comigo, me dando felicidade e depois a arrancando sem aviso. Era como se ela tivesse gritado “Passou da validade!”.
Meus pais tinham que se mudar outra vez, dessa vez pra bem longe, longe o bastante pra um trem bala não poder juntar nossas mãos em menos de 8 horas de viagem. Primeiro veio a raiva, depois a tristeza. Meu coração doeu tanto que tive que me encolher. As lágrimas não caiam. Eu estava num estado de negação. Simplesmente não podia acreditar que isso estava acontecendo, era injusto demais. Fiquei com pena de mim mesmo, e, logo em seguida, me senti culpado. Eu não tinha que sentir pena de mim, e sim de Hinata.
Quando contei a ela a notícia, numa noite, sentados num banco de praça, assisti seus olhos ficarem arregalados e, em seguida, uma lágrima rolar por seu rosto. Eu sentia a dor dela, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Nós passamos o resto daquela noite abraçados, e prometemos que nunca deixaríamos de mandar cartas um pro outro.
Cumprimos a promessa. Todo fim de semana, quando eu recebia uma carta dela, eu enviava uma, e assim continuou. Na escola nova, eu não passava de um fantasma com 14 anos chamado Sasuke que passava pelos corredores a caminho da sala de aula, da biblioteca, ou da sala de arco e flecha. Se antes eu era frio, agora eu estava perto de ser uma geada humana. Eu pensava nela sempre que sentia a sua falta, o que era a maior parte do tempo. Eu tentava não enlouquecer ou ficar com depressão, o que não era um feito normal meu. Meu único amigo era um menino chamado Koichi, íamos a alguns lugares juntos, como todo garoto normal. Acho que ele percebia que tinha algo errado comigo, mas não tocava no assunto, seja por educação ou por ser pessoal demais.
Quando estava perto do natal, no 1° ano que eu passei na nova cidade, recebi uma carta de Hinata em que ela marcava um encontro comigo na cidade intermediária entre Utsunomiya, a minha e Oomiya, a dela ás 7: 00 horas, 24 de dezembro. Eu fiquei feliz e também ansioso. As pessoas notavam a mudança repentina no meu humor. A cada dia ficava mais ansioso, e por isso, sempre estava nervoso. Decidi escrever uma carta contando tudo o que sentia, mesmo que ela já soubesse, só pra reafirmar, e algumas coisas mais. Devo ter jogado milhares de folhas fora na tentativa de escrever uma carta decente. No final, consegui fazer uma.
No dia do encontro, embarquei no trem das 4:00 da tarde, pra chegar lá antes do horário marcado. Acabou que, quando saí da estação de Utsunomiya começou a nevar, e, se nevasse demais, o trem iria ter que parar em algum ponto por causa de “complicações”. 
Quando passamos pela estação de trem de Tengushi, os prédios começaram a desaparecer subitamente do campo de visão. Minha suposição estava certa, mas não achei que atrasaria tanto. O trem parou não só em Nogi e Mamada, mas também em Kurihashi e Oyama. As estações pareciam incrivelmente distantes uma da outra e o trem parava em cada estação por um longo período de tempo. O lento passar do tempo, junto com minha fome incessante só serviam pra enfraquecer o meu espírito.
Eu chegaria 4:00 atrasado. Eu ficava toda hora mexendo a carta em meu bolso, me perguntando se ela entenderia o motivo, se ela iria embora pensando que eu não iria. Essas indagações rodavam em minha mente como uma ventania, e isso machucava. Como tinha ficado o caminho todo na porta, me sentei, derrotado. Ela iria embora, eu tinha certeza. Apertei a carta em minha mão, as lágrimas começaram a cair, e de repente, eu estava soluçando. Eu chorei o caminho todo, e, quando o trem finalmente parou na estação do encontro, eu não tinha mais esperança, nem a procurei.
Quando estava caminhando em direção a sala de espera, alguém me chamou, mas não foi por que a pessoa me chamou que eu olhei pra trás, foi por causa de sua voz, e eu só ouvi essa voz vindo de uma pessoa: Hinata. Nossos lábios se contraíram em um sorriso e praticamente corremos um pro outro e nos abraçamos. Eu suspirei, aliviado, ela não tinha ido embora. Ficamos olhando um pro outro, procurando as mudanças nos nossos rostos, e, quando acabamos, entrelaçamos nos mãos e fomos pra sala de espera. Conversamos e rimos muito, um dos momentos melhores da minha vida, e, como o próximo trem só viria de manhã por causa da neve, era um tempo consideravelmente grande pra se aproveitar. Ela tinha preparado um bentou, estava delicioso. Mesmo fazendo um frio congelante lá fora, fomos caminhar e paramos debaixo de uma cerejeira que não tinha muitas flores e nos sentamos. Em algum momento, fizemos silêncio, em sintonia, tudo que queríamos era aproveitar a companhia um do outro. Quando o frio tornou-se insuportável, voltamos pra estação de trem e nos arranjamos nuns bancos largos o bastante e dormimos.
Na manhã seguinte, na hora da partida, como se não pudéssemos nos permitir ir embora sem esse contato, nos beijamos lenta e longamente. Quando nossos lábios se colaram, todas as partes do meu corpo se aqueceram, meu corpo ficou leve como uma pena e eu não pensei mais em nada, não até que eu entrei no trem. Um turbilhão de pensamentos me atingiu, sim, eu estava feliz, mas quando percebi que tinha me separado dela outra vez, uma parte de mim ficou triste. Essa parte sabia que não nos veríamos depois de um longo tempo, ou nunca mais. Não me lembrei de entregar a carta.
Minha vida continuou, junto com as cartas. Mas... Depois de um tempo, a quantidade de cartas estava diminuindo até que não chegou mais. Não fazia sentido. Ela havia esquecido de mim?  Eu tinha feito alguma coisa que ela não gostou no nosso encontro? Ela tinha se apaixonado por outra pessoa? Aconteceu alguma coisa com ela? Ela tinha desistido de me amar por ser difícil demais? Ela... Simplesmente se cansou de mim? Será que ela achou o nosso romance inocente e infantil demais? È real o bastante pra mim, por que não pra ela? Eu não conseguia pensar em alguma resposta plausível. Cada vez mais perguntas diferentes surgiam em minha cabeça, até que eu não tinha mais, nem meu cérebro apaixonado conseguia criar mais desculpas pra a falta de retorno das cartas que eu mandava. Depois que ela deixou de me mandar cartas, eu só enviei mais três, não aguentava mais ficar esperando alguma resposta.
Eu chorei como nunca chorei na vida, ás vezes só era som, sem lágrimas. Eu estava definitivamente ficando louco. Nenhuma emoção me atingia. Eu me desliguei. Eu tentei muito tirar ela da cabeça, tentava me convencer de que ela não existiu, de que isso era normal, afinal, há tantas pessoas no mundo sofrendo por isso, por que não eu? Procurava um jeito de me conformar. Até que cheguei no meu limite. Sem entender o motivo dessa obsessão, eu apenas continuei vivendo.
Pouco a pouco, eu consegui viver a vida normalmente depois dessa fase de domesticação da mente, mas tenho esses sonhos. Na verdade, são mais lembranças. Elas me cansam, é como uma sessão de tortura reservada pra noite. Agora, já com 18 anos, encontrei um motivo pra tanto sofrimento. Acho que... No ato de viver, vão se acumulando tristezas aqui e ali, nos tecidos colocados ao sol pra secar, na única escova de dentes no banheiro, ou...  nas palavras contidas em uma carta.
“Ainda agora... Eu continuo amando você”, isso foi o que a garota que eu conheci 4 anos atrás disse em uma das centenas de cartas que recebi. Mas mesmo que nós tivéssemos trocado milhares cartas, nossos corações provavelmente não teriam se aproximado nem 1 centímetro. Nesses últimos anos eu só caminhei em busca daquilo que não podia alcançar, embora eu não fosse capaz de definir o que era isso.
Fechei meus olhos, sabendo que no dia seguinte, e no outro, e no outro, eu sonharia de novo. Então, um dia, quando acordei depois de ter esses sonhos, eu percebi que o meu coração havia se tornado vazio, não sobrando nada além da dor.


                                                                  FIM



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Um comentário:

  1. ●๋• π ●๋•29 de abril de 2014 às 14:00

    Porquê faz isso comigo, Amanda?

    Me fez chorar com essa FanFic... T--------T

    História t~]ao linda quanto triste.... simplesmente, emocionante!

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